Até mesmo uma pessoa com título de doutor pela USP é capaz de dizer o que aconteceu com os raros homens sábios na história da humanidade, que dirá uma pessoa iletrada que escute a parábola da caverna descrita por Platão. Nenhum desses se tornou um empresário bem-sucedido enriquecendo-se com o conhecimento que obteve. Pelo contrário, a dependência psíquica de falar a verdade fez deles um tipo indesejável na sociedade medíocre que viveram. Tomaram a sicuta de Sócrates de um jeito ou de outro. Ninguém foi mais oprimido no mundo do que um homem sábio.

O exitoso homem medíocre, por outro lado, sempre conquistou o que deseja. Pois a única barreira entre um medíocre e outro é o requinte de crueldade: uns são mestres na omissão, outros são doutores na ação que não mede os meios para a obtenção do fim.

Não está sendo diferente em nossos tempos. Ao invés de ouvir os ensinamentos de Olavo de Carvalho, os medíocres de toda sorte preferem seguir os conselhos dos analistas da Rede Globo, quando não chegam a dobrar as cabeças em reverência à Fabios Farias, Ramos e até Pablos Marçais.

Diante da vitória da força popular de Bolsonaro em 2016, Olavo alertara que não se coloca a cereja esperando que o bolo venha junto. As universidades, os jornais e a total ausência de uma estruturação política hierarquizada estava como um monte Everest diante dos entusiastas — dos quais me incluo — do fenômeno popular do conservadorismo.

Em 2018, a vitória eleitoral de Bolsonaro anestesiou ainda mais os olhos de quem queria pular o Everest com uma corda de elásticos recém fornecidos. O elástico não só era insuficiente como também é impossível pular o Everest sem perigos mortais ao saltador. O imaginário entusiasmado que animava a muitos não os permitiu ver que atalhos só servem para êxitos medíocres.

Dirceu, que reconhecera ter sido um erro a facada no recém-eleito presidente, estava fora da cadeia, graças ao acidente que matou quem o mantinha na cadeia. Lula é solto com a anuência da inteligência de Moro com sede de assumir o cargo que estava nas mãos de Bolsonaro. O substituto de Teori sabia bem como não sofrer de acidente de avião e abre uma cruzada diabólica contra o único presidente pós-88 que preferiu ser difamado a participar do esquema de poder da ciranda Sarney, FHC, Lula e Temer.

Como deixar de roubar não basta, era preciso retirar os meios de ação dos comunistas. Mas os conselhos dos liberais e militares era evitar confronto com os comunistas para fazer uma boa gestão e mostrar ao povo a melhor administração pública que se pode fazer na ciranda dos supra-citados. A economia melhora, os sindicatos estão a morrer de inanição, a infraestrutura alcança feitos que estavam na agenda de Dom Pedro II e tudo estava pronto para vencer bandidos por meio do voto. Se o voto fosse contado por não-bandidos, certamente a estratégia funcionaria perfeitamente.

E o Lula-condenado solto? E o Dirceu livre graças à queda do avião de Teori? E o Foro de São Paulo que até Merval Pereira denunciava na Globo? Tudo isso era teoria da conspiração e o que importa é pensar estrategicamente na clave da tecnocracia sem resquícios ideológicos proposto por liberais e militares. É a hora dos “adultos”. Retirem da sala os conservadores infantis e histriônicos. Chega de barulho. Chega de acreditar em Foro de São Paulo e ação comunista.

Os inquéritos de Moraes atingem na veia aorta dos remanescentes que alertavam sobre os comunistas. A denúncia das escutas telefônicas se desfazem no ar dando lugar à preocupação econômica e financeira. Faltavam apenas dois arranjos para o coliseu se alegrar com o pão e circo tecnocrata: o ex-advogado da Transcooper ser presidente do TSE e o menos acompanhado nos comícios levar às eleições ao segundo turno.

É preciso ficar umas décadas na USP para acreditar ser possível evitar a glória do fundador do Foro de São Paulo. O condenado-solto receberá o louro do “imperador” mais nefasto que já tivemos no Brasil. E é preciso mencionar que mesmo assim, todos os conselhos do Prof. Olavo serão ainda tidos como impossíveis de ser aplicados, mesmo depois da evidente peça teatral cujo roteiro termina com as palavras “mas a culpa é do povo que não sabe votar”.

Não se assuste quando alguém culpar o povo e você se lembrar dos três últimos 7 de setembro. Certamente você pensará: mas qual povo? O que vi foi em massa às ruas.

Em um arrogante ar, padrão El Chaves del Ocho, militares e liberais dirão: só os inteligentes que vêem.

Entre esses sabichões especialistas em guerra de travesseiro, fico com minha opção preferencial pelos sábios: Olavo tem razão. O brasileiro quer resolver seus problemas para depois ficar inteligente. Qualquer pessoa que estude de fato a ação comunista sabe ser impossível entrar no ringue sabendo que dentro das luvas do seu oponente existem umas pedras do Partido Comunista Chinês.